Pride Across the Multiverse

Coletânea de Histórias em Português

Sumário

02 de Maio de 2022 | Por Alison Lührs

Nota para um Estranho

Na parede externa de uma estalagem no Distrito Cinco do plano-cidade de Ravnica, encontra-se o Quadro de Avisos do Viajante, protegido contra a chuva, o tempo e aqueles que não possuem a centelha de um planeswalker. O quadro de avisos fica em um espaço privado na praça pública, abrigado por um emaranhado de hera e pela sombra generosa do telhado de telhas de barro da estalagem. É difícil flagrar alguém no ato de postar no quadro, já que poucos conseguem vê-lo, e menos ainda se dão ao trabalho de caminhar até o Distrito Cinco, mas se alguém se aproximasse, encontraria uma ampla extensão de cortiça e o almíscar terroso de uma floresta tropical distante e úmida. Espalhados como sementes pelo quadro estão dezenas de pedidos, avisos, cartas de amor, mandados de busca, recompensas, imagens carinhosamente esboçadas, retratos mal desenhados e todo tipo de notas e comunicados, cada um colocado pelo mais raro dos viajantes.

As notas variam em utilidade. Em um pergaminho, pendurado bem no centro:

DOIS INGRESSOS EXTRAS: Partida Individual de Campeonato, Beira do Valor, próxima lua de quarto planar. Deixe o endereço de contato planar abaixo se estiver interessado!!

Logo à direita, no verso de um cardápio:

PERDIDO: Prendedor de gravata — besouro de prata. Visto pela última vez no acampamento dos Sussurradores, montanhas de Qal Sisma, Tarkir. Devolva imediatamente, troco por 20 unidades de Halo. Deixe sob a caixa de violino, Rua 14 Sul, 187, Nova Capenna

Em uma folha de papel antiga, rasgada pelos anos de intempérie, em um garrancho ousado e descuidado:

PARA MOMENTOS DIVERTIDOS, PRAÇA TOFANA, 44, PALIANO, FIORA

Mas em uma manhã âmbar e quente do início do verão, uma nota nova é fixada com um fino alfinete de prata perto do topo:

Procuro cobre bruto.

Troco por moeda de escolha em troca de discrição.

—R

Aqui, no Quadro de Avisos do Viajante, a planeswalker Huatli está parada, os pés firmemente plantados, o queixo erguido por partes iguais de confiança e baixa estatura, e examina o quadro porque por que não . Seu olhar é atraído pela nota fresca no topo, e ela se lembra do cobre bruto trazido de Ixalan para negociar quando chegou pela primeira vez a este plano.

Na praça atrás dela, as tílias brilham em louvor verdejante e dentes-de-leão e trevos rompem os paralelepípedos, os escombros das tristezas recentes da cidade finalmente limpos.

Não sendo do tipo que deixa um estranho em necessidade, Huatli se levanta na ponta dos pés para pegar um pedaço de papel velho de outro canto do quadro e responde em uma letra cheia de voltas e floreios. Assim começa a correspondência delas.

Existe um local apropriado para negociar, se houver interesse?

—H

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Escreva sua inicial na caixa abaixo do quadro de avisos. Sua assinatura foi codificada na proteção.

—R

— Parece um exagero — murmura Huatli para ninguém em particular. Ela olha para baixo. De fato, aos seus pés está uma caixa de prata presa ao poste com uma delicada corrente de metal. Huatli toca-a com a ponta de aço de sua bota. Sim. Deve ser aquela caixa.

Ela se ajoelha, um pouco incerta se está fazendo isso direito, e usa o dedo indicador para desenhar um H rápido na tampa da caixa. Ela desliza silenciosamente, revelando um espaço vazio em seu interior.

— Uh~

Sentindo-se ligeiramente tranquilizada por esse desenvolvimento, Huatli coloca um pedaço de cobre do Império do Sol de tamanho médio lá dentro, junto com uma nota rápida e curiosa.

Você é um espião?

—H

Ela fecha a caixa, percebendo apenas depois de fechada que esqueceu de mencionar qual moeda queria em troca. Huatli diz uma palavra que ouviu Angrath usar uma vez e desenha o H no topo da caixa novamente.

Ela permanece fechada.

Não é até que ela volta no dia seguinte e tenta novamente que a caixa se abre novamente, com uma nota nova lá dentro.

Eu sou uma espiã muito autêntica.

Além disso, você esqueceu de mencionar como eu deveria lhe pagar.

—R

Huatli sorri. Quem quer que fosse a espiã, era atrevida.

Atenção: Agente Secreta R,

Como uma agente secreta muito autêntica, o que a inspirou a se tornar uma ferramenta do Estado? Que honra você encontra nas sombras? O que enriquece a alma de um guerreiro que esconde quem é? Mais importante, que tipo de garrote você pretende fabricar com o meu cobre?

Aguardando sua transmissão codificada, Agente R.

Também não sou uma agente secreta,

—H

P.S. Sou uma mulher de honra e não preciso de compensação em troca dos bens que presenteio em espírito de altruísmo.

A manhã seguinte traz uma nova nota da escritora misteriosa que abre ainda mais o seu sorriso, provocando uma risada e um frio no coração.

Não É Uma Agente Secreta,

Tive que perguntar ao meu colega o que era um garrote e me arrependi de ter feito isso.

Voltando aos negócios. Não insistirei mais na questão do pagamento. Agradeço sua generosidade — você está, sem querer, me ajudando a corrigir um erro extraplanar tremendo.

Dito isso ~ você me pegou. Eu não acho que daria uma boa espiã, de qualquer forma. Ser uma "ferramenta do Estado" parece não ser muito divertido. Acho que eu precisaria aprender a mentir melhor primeiro. O que me entregou — foi dizer que eu era uma espiã de verdade? Achei que seria um bom disfarce, infelizmente.

Seu cobre não será usado para fazer um garrote, prometo, mas é um condutor crítico que estou integrando em um projeto que estou criando para uma amiga! Essa parte é realmente verdade. De fato. Seriamente. Sou uma dama, não uma mentirosa.

A propósito, você escreve lindamente. O que a traz a este plano, ou você é daqui?

—R

Huatli passa o dia seguinte com o coração leve, feliz por sua suposição estar correta. “Sou uma dama.” Ela passa o dia lendo e relendo a carta, radiante de vitória em segredo. Na mosca .

Ela vai de consulta em consulta, dos registros legislativos Azorius a uma longa reunião com o subtenente dos Boros. O tempo todo ela não consegue parar de pensar em R, sua espiã-que-não-é-espiã.

Depois de uma tarde tentando se conter, ela volta à caixa e deixa sua resposta.

Dama, Não Uma Mentirosa,

Passei os últimos dois meses neste plano estudando a estrutura executiva das guildas. O sistema governamental da minha terra natal é bem diferente, mas descobri em meus anos que sempre há algo a aprender com os outros. (Agora percebo, eu sou uma ferramenta do Estado?! Que vergonha.) Espero trazer aprendizados para ajudar minha própria casa a melhorar.

Talvez isso seja ingenuidade. O governo de Ravnica foi fundado magicamente, moldado pela mão de um planeswalker estrangeiro; parece projetado para estimular conflitos, mas funciona da mesma forma. Não estou convencida de que a estrutura executiva das guildas seja superior à nossa, mas pode-se obter inspiração em muitas fontes surpreendentes.

Penso na guerra e no conflito em minha terra e me pergunto se existe algo melhor. Talvez, como uma ex-espiã falsa, você tenha alguma ideia de como acabar com os conflitos. É ingenuidade buscar a utopia?

—H

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Buscadora da Utopia,

Utopia, hm? Já ouvi minha própria terra ser descrita assim! O ponto da utopia é que ela é impossível, mas, por outro lado, o ponto do impossível é sempre lutar por ele de qualquer maneira, não é? Nada está nunca terminado — foi o que me ensinaram. A incapacidade da minha mentora de se impressionar me levou a ser o tipo de criadora que nunca consegue largar as ferramentas e dar o dia por encerrado. É por isso que você busca aprender com outros planos? Deseja aperfeiçoar sua própria casa, mesmo sabendo que o trabalho nunca será concluído?

Eu não acho que você seja ingênua. Acho lindo você querer tornar sua casa um lugar melhor.

Ex-espiã Falsa,

—R

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R,

O mínimo que podemos fazer nesta vida é tentar. Quanto mais aprendo como todos os outros lutam pela perfeição, mais posso ajudar minha casa.

Você fala de sua mentora com carinho, mas descreve o que me parece um tratamento cruel. Se esta caixa que estamos usando é prova de sua genialidade, fico zangada por você por sua mentora não ter se impressionado com seu trabalho. É verdadeiramente notável.

Você deveria se orgulhar de fazer coisas tão bonitas.

—H

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H,

Fico lisonjeada que você corra para defender minha honra! Por favor, não presuma má-fé — minha mentora sempre me incentiva a crescer e melhorar. Ela significa o mundo para mim, assim como suas palavras gentis.

O que você sabe sobre Dominária? Tenho ficado lá e voltado a Ravnica para buscar suprimentos. Não a conheço, mas acho que você gostaria de lá.

Talvez você pudesse me encontrar lá algum dia?

Sua,

—R

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O coração de Huatli para na garganta ao ler a missiva daquela manhã. Por reflexo, ela recorre à formalidade.

Querida R,

Tudo o que sei sobre Dominária são fofocas de homens antigos e descuidados. Confio no seu julgamento, no entanto. Se você diz que é lindo, deve ser um lugar para ser valorizado! Eu gostaria de conheê-lo e conhecê-la pessoalmente, se você estiver disposta.

—H

A resposta não vem por dois dias.

Huatli se preocupa por ter feito algo errado. Até que uma manhã, em sua caixa junto ao quadro de avisos~

H,

Vamos direto ao ponto. Eu estou interessada, você está interessada. Quer se encontrar para tomar algo?

Sua, se quiser,

—R

Huatli não tem um ataque cardíaco, mas chega perto. Ela responde instintivamente, sem vergonha, com um reflexo de poesia exagerada —

R,

Você avança quando eu recuo, e seu golpe frontal me atingiu em cheio e despertou o rubor em minhas bochechas.

Tudo o que quero é transformar minha casa no paraíso que ela poderia ser. Talvez o paraíso seja algo que possamos buscar juntas.

Estarei na Taverna de Iveta amanhã ao nascer da lua. Por favor, aceite minha caridade e deixe-me pagar uma bebida para você.

—H

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H,

Você me faz sentir como uma adolescente. Eu gostaria de poder escrever com tanta arte quanto você. Sim, eu estarei lá.

Podemos começar em Ravnica, mas vamos viajar para algum lugar divertido para jantar. Conheço um lugar fascinante para uma segunda rodada em Park Heights! Você já esteve em Nova Capenna? É o meu lugar favorito para visitar nas férias — tem um salão de baile lindo que podemos conferir. Você nunca viu tanto ouro na sua vida! Às vezes há brigas, mas é muito seguro, prometo. Bebidas incríveis, moda incrível, ótimos lugares para observar as pessoas e danças muito rápidas! Espero que isso não seja intimidante. Podemos nos encontrar na Iveta para a primeira rodada e caminhar entre os planos de lá?

Venha dançar comigo, H,

—R

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Desta vez, Huatli não consegue conter um suspiro lisonjeado. Ela passa o resto do dia tentando não explodir de antecipação. R disse sim. E sugeriu um segundo local? Com dança? A mente de Huatli gira. Quão rápida é a dança rápida? Rápida em comparação a quê? Existem velocidades permitidas variáveis para a dança? É dança de par?! Huatli cancela seus compromissos e passa o resto da tarde andando de um lado para o outro em seu apartamento tentando escolher o que vestir, verificando ansiosamente o céu para ver se o sol se pôs mais rápido.

Enquanto a tarde se estende até a noite, Huatli mergulha ansiosamente em seu baú de viagem. Um segundo local exige camadas potenciais. Ela leva uma bolsa? Ela coloca seus itens de pernoite nessa bolsa?! Huatli não hiperventila, mas escreve em pânico várias linhas de poesia amorosa em um momento de ardor fervoroso~ apenas por precaução.

Quando a noite finalmente chega, quente, densa e perfumada com jasmim de verão, Huatli prende suas tranças, fecha sua jaqueta de verão e sai para a rua com um largo sorriso. De alguma forma, seu coração palpitante consegue permanecer atrás de suas costelas.

A última coisa que ela espera é o rosto familiar que avista do outro lado da calçada no Décimo Distrito.

— Saheeli? — chama ela, incrédula.

A mulher do outro lado da rua para e, então, solta um gritinho, um ruído feliz que ecoa pelos paralelepípedos. Os outros pedestres não dão atenção; a estranheza dos estranhos é um fato banal da vida em um plano-cidade.

Saheeli usa um xale impermeável sobre um sári azul brilhante e quase escorrega na calçada encharcada pela chuva ao correr até Huatli. — Eu não a reconheci sem a armadura!

Memórias inundam a mente de Huatli. Ela se lembra de sua primeira caminhada entre planos, daqueles poucos dias felizes quando conheceu Saheeli. Ela não ficara muito tempo, mas fora o suficiente para que fantasiasse frequentemente em voltar~

Huatli abre os braços e faz uma pose. — Pareço uma verdadeira ravnicana agora?

— Você está sorrindo, é assim que eu sei que você não é daqui — provoca Saheeli.

Os olhos de Huatli são atraídos para o céu e para o caminho impaciente da lua. Está ficando tarde. R estará esperando por ela.

— O que você está fazendo aqui? — pergunta Huatli. Ela desvia um pé enquanto se inclina para frente, seu corpo dividido sobre qual mulher buscar.

Saheeli percebe. Cruza os braços. — Estou apenas de passagem. Adorei conhecê-la em Kaladesh, passarmos alguns dias juntas. Espero ter ajudado a tornar sua primeira caminhada entre planos boa, Huatli.

Algo no coração de Huatli murcha. Ela também gostara daquilo, mas o tempo foi curto. A vida e seus compromissos atrapalharam, e Huatli nunca teve a chance de dizer a Saheeli que estava interessada.

Por um momento, Huatli percebe que pode contar a Saheeli agora, ali mesmo.

Huatli hesita.

Quase faz isso.

Mas o vislumbre da lua atrás da outra mulher a lembra de que agora não é o momento. R está esperando por ela. Huatli estremece. Venha dançar comigo, H.

Ela encontra as palavras. — Eu também me diverti. Que bom que você gostou de aprender sobre dinossauros. — Ela sorri, mas não consegue deixar de notar a postura fechada de Saheeli. A lua avança sobre os telhados.

— Eu preciso ir — acrescenta Huatli, interrompendo o que quer que Saheeli estivesse prestes a dizer.

— Oh! Entendi! — diz Saheeli. — Vamos nos falar algum dia?

Huatli já se virou quando grita “Claro, sim!” por cima do ombro, como se isso fosse uma frase completa.

Ela corre contra a ascensão da lua.

Seus passos chapinham nas poças, a rua se estendendo à sua frente como uma pista de corrida, o avanço das estrelas a incentivando. Ela vira à esquerda bruscamente, à direita de forma ampla, tecendo pelo Décimo em direção à Taverna de Iveta como aço em direção a uma magnetita. A multidão da noite começa a encher as ruas de lazer e risos. Restaurantes despejam clientes na calçada, e um bando de pássaros voa sob a ponte sobre a qual ela corre.

Lá.

Huatli desacelera e se acalma antes de passar pela porta da Iveta. O tilintar de um sino anuncia sua chegada.

A Taverna de Iveta é um alívio fresco do calor do verão, suas paredes adornadas com tecidos pendurados e pinturas elaboradas, um grande espelho pendurado acima do balcão ao fundo. Huatli se vê no reflexo, timidamente satisfeita com o resultado de sua roupa. Ela nota flores recém-cortadas em vasos sobre as mesas, sente como perfumam o ambiente e se misturam ao cheiro de fermento e memórias de açúcar. O teto é baixo, seus pisos de madeira carinhosamente marcados pela história. Há dois outros casais na taverna, nenhum cliente sozinho nas mesas. Huatli suspira de alívio. Ela não deixou R esperando.

Huatli rapidamente pede dois cafés (e, em pânico, duas taças de vinho adicionais, incerta sobre o que R consideraria uma primeira rodada) e senta-se, carregando cautelosamente as quatro bebidas de uma vez, acomodando-se em sua cadeira.

Ela morre, silenciosamente, repetidas vezes, enquanto espera por uma mulher que nunca conheceu atravessar a porta.

Sua antecipação é interrompida quando um rosto que seu coração conhece bem entra ao som do sino.

Saheeli.

Huatli arqueja. Saheeli a seguiu até aqui?

Seus olhares se cruzam em surpresa mútua e a percepção as atinge em uníssono. E conforme Saheeli se aproxima, a verdade escapa de ambas as mulheres ao mesmo tempo.

— H é de Huatli.

— R é de Rai.

Elas se encaram, em transe.

Hipnotizadas.

Um momento carregado com o tipo de magia que nenhuma das duas poderia conjurar.

A concentração de Huatli se estreita. O resto da taverna não existe. O Multiverso se comprime, impossível e próximo, carregado e precioso. Todos os planos colapsaram, neste único momento, na mulher parada em frente à sua mesa.

Saheeli, brilhando em cobalto perfeito, os olhos faiscando com um fascínio selvagem, senta-se na cadeira à frente de Huatli e olha para as quatro bebidas entre elas.

Huatli explica, suavemente, atordoada: — Eu entrei em pânico.

Um sorriso quente e brincalhão ilumina o rosto de Saheeli. Ela se inclina para frente através do emaranhado de hastes e xícaras e desliza suavemente os dedos pelas costas da mão de Huatli. Seus olhos se encontram enquanto Saheeli sussurra: — Está perfeito.

Huatli explode em confissões. Saheeli ri, retribui, lamenta e ri novamente. Uma piada interna de identidades secretas, sua pequena mesa uma utopia privada. Uma parte de Huatli registra os outros clientes ainda na taverna, e ela se emociona com o ato de se sentir observada. Estariam eles com inveja, ela se pergunta, do milagre à frente dela?

A conversa delas é natural. Tudo é fácil com ela.

Elas compartilham um dos cafés na mesa, Saheeli dizendo que precisarão dele para a dança. Ela se levanta e Huatli a segue, atraída pelo peso da serendipidade e pela promessa da noite.

Uma puxa a outra em direção à porta, deixando moedas na mesa para trás, entrelaçando suas mãos ao fazê-lo. As pontas dos dedos da guerreira-poeta exploram os calos de uma artesã enquanto seus lábios se encontram suave e timidamente sob o alcance índigo do céu de Ravnica, e as duas mulheres partem do luar de um plano para emergir sob as estrelas brilhantes de outro.

Batida do Coração da Primavera | Arte de: Peo Michie